Canais Fox vão deixar de existir no Brasil

A marca Fox e seus canais pagos vão acabar no Brasil. O Notícias da TV apurou que o sumiço das marcas ocorrerá em até sete anos, uma vez que houver a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para a fusão entre a Disney e a 21st Century Fox, anunciada em junho nos Estados Unidos. No mercado, aposta-se que isso ocorrerá bem antes. Entre os canais de que a marca Fox dispõe no país, estão campeões de audiência da TV paga, como a própria Fox e o Fox Sports.
Parte das operações da Fox deverão ser assumidas pela ESPN. Já campeonatos como a Libertadores poderão migrar para a nova plataforma de streaming da Disney.
No negócio de US$ 71,3 bilhões, a Disney comprou os direitos de todas as operações da Fox no mundo, menos nos Estados Unidos. Por lá, a Fox vai continuar com seus principais canais em operação, segundo prevê o acordo de venda. No Brasil e nos demais países, os canais da empresa serão descontinuados e substituídos por marcas pertencentes à Disney que operam no mesmo tipo de negócio.
Além da compra da Fox, a Disney levou sucessos produzidos ou distribuídos pela concorrente, como a série de animação Os Simpsons, e filmes, como os premiados X-Men e Quarteto Fantástico _que poderão se juntar ao universo cinematográfico dos super-heróis da Marvel, do qual já fazem parte nas histórias em quadrinhos.

Entre as mudanças mais imediatas esperadas pelo mercado publicitário e que serão sentidas pelo público brasileiro fã de futebol, estão as que acontecerão nas programações de Fox Sports e ESPN/ESPN Brasil.
Um publicitário de peso, que comanda uma companhia multinacional, afirmou ao Notícias na TV que a informação do fechamento dos canais Fox na América Latina, incluindo o Brasil, já circula nos Estados Unidos, onde está a matriz dos canais.
Outro profissional peso-pesado, executivo de um grande anunciante das transmissões de futebol do Fox Sports, em especial da Libertadores, diz que o fim do canal já é dado como certo pelo mercado publicitário do Brasil.
“Os anunciantes ainda não foram oficialmente informados. Mas já se ouve o burburinho da fusão entre os canais ESPN-Fox Sports, com a ESPN englobando os direitos de transmissão e a comercialização da Libertadores e de outros campeonatos”, revela.
Um outro importante executivo ligado a transmissões esportivas pela TV, que pede anonimato, confirma que não faz sentido para a Disney manter uma operação com o nome de um concorrente que ainda existe nos EUA.
“É natural que uma empresa comprada desapareça”, explica. “Tudo isso é um movimento da Disney para o desenvolvimento de uma plataforma de streaming, como a Netflix, que ela deve lançar nos EUA em 2019, e que certamente trará alguns dos principais campeonatos de futebol, como é o caso da Libertadores, além de seus filmes, séries etc.”

ApreensãoUma fonte ligada à ESPN, que também pediu para não ser identificada, disse que já há apreensão entre os funcionários, apresentadores e comentaristas da casa com uma eventual fusão Fox Sports e ESPN Brasil. Isso porque haveria superposição de operações e a possibilidade iminente de cortes entre os colaboradores dos canais.
A conjuntura financeira das duas empresas, Fox e ESPN, não é nada boa para quem trabalha nelas. “Tanto Fox Sports quanto ESPN Brasil fecharam 2017 no vermelho, mas é esperado que neste ano o rombo do Fox Sports seja ainda maior por causa da Copa”, afirmou.
“A Fox investiu cerca de US$ 9 milhões (cerca de R$ 36 milhões) neste ano para a cobertura da Copa do Mundo, mas infelizmente não houve o retorno esperado”, explicou. O resultado insatisfatório do Mundial da Rússia nos cofres do canal custou o emprego de seu vice-presidente comercial, Arnaldo Rosa.
Outro ponto que gera temor entre os funcionários é a grande oferta de profissionais da área, já que houve recentemente o fechamento dos canais Esporte Interativo.
Procurado pelo Notícias da TV, o departamento de Comunicação da ESPN disse que “a proposta de aquisição está em fase de aprovação dos órgãos regulatórios e todos os comunicados oficiais estão sendo realizados diretamente pela Disney”.
A assessoria da Fox respondeu que o canal não se pronunciará sobre o assunto.

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